{"id":2253,"date":"2024-05-06T21:11:00","date_gmt":"2024-05-06T21:11:00","guid":{"rendered":"https:\/\/juventudeemtransicao.pt\/?p=2253"},"modified":"2024-07-08T22:05:24","modified_gmt":"2024-07-08T22:05:24","slug":"as-sementes-que-plantei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/juventudeemtransicao.pt\/index.php\/2024\/05\/06\/as-sementes-que-plantei\/","title":{"rendered":"\u201cAs sementes que plantei\u2026\u201c"},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"2253\" class=\"elementor elementor-2253\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-3be9f80f elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"3be9f80f\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-41be8de8\" data-id=\"41be8de8\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-90da851 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"90da851\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Preparemos, ent\u00e3o, o cen\u00e1rio\u2026<\/p>\n<p>Quando as aulas come\u00e7aram, no Outono de 2021, a minha filha, feminina e teimosa, anunciou aos professores, do nada, que queria usar um nome masculino. Descobrimos isso atrav\u00e9s de um simp\u00e1tico conselheiro escolar e foi assim que come\u00e7amos a nossa jornada no mundo invertido da ideologia trans.<\/p>\n<p>Nos primeiros seis meses, ela passou de bissexual, n\u00e3o bin\u00e1ria, they\/them, aceitando usar o seu nome de nascimento em casa, para \u201cpansexual\u201d, reescrevendo a sua hist\u00f3ria de vida e mostrando-se cheia de pedidos trans, que inclu\u00edam afirmar, de forma po\u00e9tica, sobre o dia em que iria cortar partes do corpo e come\u00e7ar com Testosterona. Ela tinha 12 anos\u2026<\/p>\n<p>A nova identidade trans garantiu-lhe a perten\u00e7a instant\u00e2nea ao grupo LGBTQ da escola, um grupo de amigos (o primeiro de sempre), toneladas de aten\u00e7\u00e3o e elogios, uma reivindica\u00e7\u00e3o de justi\u00e7a social, um prop\u00f3sito elogiado e uma explica\u00e7\u00e3o abrangente para cada sentimento negativo at\u00e9 ent\u00e3o experimentado em rela\u00e7\u00e3o ao seu \u201cEu\u201d solit\u00e1rio, neurodiverso e devastado pela puberdade.<\/p>\n<p>Como tantos outros pais de crian\u00e7as que se identificam como trans, eu n\u00e3o sabia o que n\u00e3o sabia. Sempre fui progressista e com inclina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para a esquerda, pelo que, inicialmente, tentei ser solid\u00e1ria, ao mesmo tempo que, por outro lado, estabeleci uma linha dura em rela\u00e7\u00e3o a mudan\u00e7as permanentes antes mesmo que ela as solicitasse. Aguentei o nome por oito meses, os pronomes masculinos por um ano, depois cedi. Permiti roupas do departamento masculino, binders e um corte de cabelo curto. Levei-a \u00e0 Parada do Orgulho.<\/p>\n<p>Contudo, durante todo o tempo, permaneci profundamente desconcertada e intimamente convencida de que n\u00e3o era realmente ela. Outra coisa havia tomado conta dela. Eu simplesmente n\u00e3o sabia exatamente o qu\u00ea ou como resolver a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Cerca de dez meses antes (ou seja, s\u00e3o j\u00e1 vinte meses nesta jornada), o professor ativista da Genders &amp; Sexualities Alliances (GSA) convidou uma pessoa trans para falar no clube (sem o nosso conhecimento, pais), o que resultou em que, quando a minha filha voltou para casa, vinha cheia de uma urg\u00eancia de ser colocada em bloqueadores da puberdade \u201ccompletamente seguros e revers\u00edveis\u201d o mais r\u00e1pido poss\u00edvel.<\/p>\n<p>Foi ent\u00e3o que, finalmente, por necessidade, comecei a educar-me sobre este assunto. N\u00e3o sei dizer por que demorei tanto. Talvez eu estivesse em modo de sobreviv\u00eancia. Talvez estivesse preocupada em ser chamada de fan\u00e1tica. Talvez, ainda, porque poderia parecer presun\u00e7oso pensar que eu conhecia melhor a minha filha do que ela pr\u00f3pria. (Spoiler: sim, estou 100% certa de que a conhecia melhor. Porque ela \u00e9 uma crian\u00e7a e as crian\u00e7as n\u00e3o se conhecem. J\u00e1 conheceu uma pessoa de 30 anos que n\u00e3o mudou desde os 13, 15, 18? Encerro o meu caso.)<\/p>\n<p>Aprendi sobre o ROGD (Rapid Onset Gender Disforia), os cont\u00e1gios sociais, os grupos de controlo mental, a propaga\u00e7\u00e3o da ideologia online, o silenciamento dos dissidentes, a falta de investiga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e as amea\u00e7as aos direitos das mulheres.<\/p>\n<p>Encontrei Gender \u2013 A Wider Lens, PITT (Parents with Inconvenient Truths about Trans), Genspect, Irreversible Damage (Abigail Shrier) \u00a0e tudo o mais. Tamb\u00e9m mergulhei profundamente no passado da minha filha, no contexto da sua vida social e da nossa fam\u00edlia para compreender as caracter\u00edsticas e circunst\u00e2ncias que a tornaram particularmente vulner\u00e1vel, bem como o nosso papel como pais na sua forma\u00e7\u00e3o. (Para ser clara, n\u00e3o estou a falar de auto-culpa, mas do reconhecimento objetivo de que a din\u00e2mica do relacionamento familiar \u00e9 um dos v\u00e1rios contribuintes para a forma como nossos filhos se v\u00eaem).<\/p>\n<p>E ent\u00e3o, armada com esse novo conhecimento, comecei a jardinagem. Ou, mais especificamente, a \u201cplantar sementes\u201d \u2013 uma frase muito repetida nos conselhos aos pais de crian\u00e7as com confus\u00e3o de g\u00e9nero.<\/p>\n<p>H\u00e1 nove meses, o solo era quase sempre \u00e1rido e inf\u00e9rtil, mas depois ocorreram dois acontecimentos \u201cfortuitos\u201d. Primeiro, o professor da GSA, com complexo de salvador, denunciou-nos \u00e0 Comiss\u00e3o de Prote\u00e7\u00e3o de Menores por causa de alega\u00e7\u00f5es falsas que foram rapidamente rejeitadas, o que n\u00e3o evitou, por\u00e9m, que se desse um choque suficiente na nossa fam\u00edlia capaz de levar a minha filha \u00e0s l\u00e1grimas (e \u00e0s d\u00favidas sobre o professor), e ent\u00e3o a \u00e1gua come\u00e7ou a brotar nesse ch\u00e3o \u00e1rido. Em seguida, um relacionamento t\u00f3xico fez com que a nossa filha se distanciasse do grupo de amigos e, com isso, a constante nebulosidade que \u00e9 a \u201cliga\u00e7\u00e3o traum\u00e1tica\u201d diminuiu. Entrada de luz\u2026<\/p>\n<p>Por mais que eu haja questionado, retrospetivamente, a nossa decis\u00e3o de afirmar socialmente e acreditar que eu agiria de maneira diferente hoje, com o conhecimento que tenho, tamb\u00e9m acho que isso ajudou a manter uma conex\u00e3o com a minha filha durante toda essa fase. Ela sentiu-se algo apoiada, o que fez com que nunca se tenha voltado contra n\u00f3s completamente. Mas, quando as influ\u00eancias da escola diminu\u00edram, ainda havia um grande problema: ela n\u00e3o tinha ideia de como eu me sentia. O nosso relacionamento fora constru\u00eddo sobre uma mentira e as mentiras s\u00e3o um fertilizante terr\u00edvel.<\/p>\n<p>O primeiro passo, portanto, foi eu e o meu marido ancorarmo-nos, mais uma vez, na realidade \u2013 mudar o n\u00edvel de ph da nossa casa, pode dizer-se (se ainda n\u00e3o estiver cansado da analogia da jardinagem). Fizemos isso deixando de usar pronomes masculinos e, em vez disso, optando pela acrobacia lingu\u00edstica sem pronomes, usando (discretamente) o nome de nascimento da minha filha quando fal\u00e1vamos sobre ela apenas n\u00f3s os dois, e usando uma vers\u00e3o mais neutra do nome \u201cpreferido\u201d dela sempre que precis\u00e1vamos absolutamente de cham\u00e1-la por um nome. Isto pode parecer uma pequena mudan\u00e7a porque n\u00e3o a envolveu explicitamente, mas a <strong>Semente 1<\/strong> teve que ser plantada dentro de n\u00f3s. N\u00f3s que \u00e9ramos os adultos na sala. N\u00f3s que poder\u00edamos desfazer um erro desinformado porque agora sab\u00edamos mais, nomeadamente que essa mudan\u00e7a era poss\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>SEMENTE 2: Tu \u00e9s uma prioridade para mim<\/strong><\/p>\n<p>Enquanto eu trabalhava para criar coragem para ter uma conversa profunda sobre g\u00e9nero com a minha filha, concentrei a maior parte do meu tempo livre em aprofundar o nosso relacionamento. Ouvi atentamente enquanto ela processava o que tinha acontecido no seu grupo de amigos, o que levou a conversas sobre o que ela tinha observado entre os seus pares \u2013 a influ\u00eancia da vitimiza\u00e7\u00e3o e a preocupa\u00e7\u00e3o com autodiagn\u00f3sticos de sa\u00fade mental alimentados pela Internet, t\u00e3o prevalentes na sua gera\u00e7\u00e3o. Faz\u00edamos caminhadas, colh\u00edamos frutas, cozinh\u00e1vamos, r\u00edamos.<\/p>\n<p><strong>SEMENTE 3: Tu tens livre-arb\u00edtrio para avan\u00e7ar para algo melhor<\/strong><\/p>\n<p>Ela estava nervosa por come\u00e7ar o ensino secund\u00e1rio sem amigos. Ent\u00e3o fizemos listas de caracter\u00edsticas que ela queria ver em novos amigos e, em seguida, outra lista de caracter\u00edsticas que ela poderia promover em si mesma para atrair esse tipo de pessoas. Procurei e descobri atividades extracurriculares que estavam alinhadas com os seus objetivos de carreira futuros e incentivei a realiz\u00e1-las, bem como a trabalhar em qualidades internas, como resili\u00eancia e persist\u00eancia, que podem ajudar nessas mesmas atividades. Certifiquei-me de que ela se sentia ouvida e apoiada como pessoa.<\/p>\n<p><strong>Semente 4: As pessoas acreditam na coisa errada o tempo todo.<\/strong><\/p>\n<p>Come\u00e7\u00e1mos a assistir a \u201cScientology and the Aftermath\u201d, de Leah Remini, juntas \u201cpor divers\u00e3o\u201d, uma escolha estrat\u00e9gica para introduzir no nosso ambiente conceitos como auto-ilus\u00e3o, pensamento de grupo e ci\u00eancia \u201cversus\u201d espiritualismo. Tamb\u00e9m fal\u00e1mos sobre outros cultos, como eles recrutam e como evitar ser ing\u00e9nuos&#8230;<\/p>\n<p>Mesmo assim, a mentira sobreviveu e isso incomodou-me a um n\u00edvel existencial. Mas \u00e9 preciso levar em conta que, at\u00e9 esse ponto, as nossas intera\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram sobre g\u00e9nero. N\u00e3o que eu n\u00e3o pensasse nisso constantemente &#8211; pensava. Contudo, mantive uma lista de sentimentos que gostaria de lhe expressar quando surgisse a oportunidade.<\/p>\n<p><strong>Semente 5: Tu \u00e9s mais do que um g\u00e9nero.<\/strong><\/p>\n<p>Ent\u00e3o, finalmente, aconteceu. Algu\u00e9m \u201cerrou\u201d em rela\u00e7\u00e3o ao seu g\u00e9nero e eu vi a\u00ed a minha oportunidade. Comecei gentilmente: \u201cN\u00e3o podes controlar como as outras pessoas te v\u00eaem\u201d. Ela de certa forma que concordou. Ent\u00e3o perguntei quanta energia emocional ela realmente queria gastar no in\u00edcio do ensino secund\u00e1rio para tentar fazer com que as pessoas a vissem de uma certa maneira, sabendo que teria um controlo limitado sobre isso. Falei sobre os seus objetivos futuros \u2013 que ela tinha grandes ambi\u00e7\u00f5es e qualidades incr\u00edveis que queria que as pessoas vissem nela. E expressei a minha preocupa\u00e7\u00e3o de que, em vez de os outros a verem como \u201ca amiga leal\u201d, \u201ca artista talentosa\u201d ou \u201ca estudante ambiciosa\u201d, o foco excessivo no policiamento da linguagem de outras pessoas poderia resultar em v\u00ea-la apenas como \u201ca crian\u00e7a trans\u201d. Ela estava disposta a deixar que o desconforto com o seu corpo a limitasse dessa forma?<\/p>\n<p><strong>Semente 6: \u00c9 importante imaginar o futuro.<\/strong><\/p>\n<p>Em seguida, perguntei o que era mais importante para ela: n\u00e3o ter que lidar com seu corpo feminino ou ser \u201cum dos rapazes\u201d. Eu j\u00e1 sabia a resposta porque, exceto por um per\u00edodo de seis a oito meses, a sua est\u00e9tica permaneceu bastante feminina e ela detestava a imaturidade de seus colegas homens. Quando ela respondeu que definitivamente n\u00e3o queria ser \u201cum dos rapazes\u201d, perguntei-lhe onde ela imaginava, ent\u00e3o, encaixar-se, se, por um lado, pretendia passar por ser um rapaz, mas, por outro, n\u00e3o queria realmente ser um deles? Seria essa uma identidade funcional no mundo real, considerando que o mundo real difere bastante das c\u00e2maras de eco online?<\/p>\n<p><strong>Semente 7: H\u00e1 mais de uma maneira de encarar o g\u00e9nero.<\/strong><\/p>\n<p>At\u00e9 a\u00ed tudo bem, at\u00e9 que veio a temida pergunta: eu via-a como um rapaz? Para minha (ing\u00e9nua) surpresa, ela realmente estava convencida de que n\u00f3s, a sua fam\u00edlia, hav\u00edamos acreditado no estratagema. Corrigir esse equ\u00edvoco foi dram\u00e1tico. Embora n\u00e3o tenha respondido sim ou n\u00e3o, compartilhei com ela o que agora considero ter sido uma informa\u00e7\u00e3o nova para ela naquela altura \u2013 que existem diferentes maneiras de olhar e definir o g\u00e9nero. Expliquei que n\u00e3o acredito numa alma de g\u00e9nero, mas sim na ci\u00eancia, na biologia, na psicologia \u2013 e que muitos outros concordam comigo. Que a natureza bin\u00e1ria macho\/f\u00eamea \u00e9 a mesma em todos os mam\u00edferos e tem sido uma caracter\u00edstica est\u00e1vel h\u00e1 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n<p>Ela ficou magoada por n\u00e3o estarmos na mesma p\u00e1gina. Eu disse-lhe que n\u00e3o havia problema em termos maneiras diferentes de ver as coisas e que ela estava a fazer o que \u00e9 suposto fazer enquanto adolescente (explorar, ultrapassar limites, testar identidades), enquanto o meu papel como progenitora era pensar no panorama geral (a sua sa\u00fade e bem-estar presente e futuro, ancorados em factos baseados na ci\u00eancia e na realidade observ\u00e1vel). Quando ela me acusou de n\u00e3o a aceitar como \u00e9, contrapus que, muito pelo contr\u00e1rio, eu aceito-a exatamente como ela \u00e9, que todos os dias eu vejo, aceito e amo tudo nela, e que nunca vou parar de o fazer. E, devido ao tempo que passei aprofundando nosso v\u00ednculo anteriormente, ela sabia que isso era verdade, mesmo no seu estado de raiva.<\/p>\n<p><strong>Semente 8: Tu est\u00e1s a crescer e mudas todos os dias.<\/strong><\/p>\n<p>Deixei o g\u00e9nero de lado um pouco depois disso. Mas, se ela tentasse uma roupa nova que tivesse um estilo notoriamente mais feminino, eu elogiaria o qu\u00e3o adulta isso a fazia parecer &#8211; porque sabia que isso ressoaria mais do que beleza (e era verdade) . Tamb\u00e9m tivemos boas conversas sobre sentimentos e como a ansiedade e outros factores stressantes da sa\u00fade mental frequentemente nos induzem a acreditar em coisas que n\u00e3o s\u00e3o reais. Expliquei que sentimentos de tristeza, medo e solid\u00e3o podem ser experiencialmente v\u00e1lidos e dolorosos, sendo que as causas subjacentes variam muito e a mente humana \u00e9 p\u00e9ssima em interpretar o significado dos sentimentos. Estes, de resto, tamb\u00e9m s\u00e3o passageiros e a ang\u00fastia de se descobrir \u00e9 algo absolutamente normal nos adolescentes.<\/p>\n<p><strong>Semente 9: O sentimento do\u00a0 corpo como \u201coutro\u201d \u00e9 provavelmente derivado da neurodiversidade.<\/strong><\/p>\n<p>Somando ao discurso sobre sentimentos inconstantes, usei um exemplo de como esquecer de comer pode deixar a pessoa \u201ccom fome\u201d, isto para lembr\u00e1-la de que sua neurodiversidade sempre dificultou a consci\u00eancia corporal. E quando a conex\u00e3o mente\/corpo \u00e9 fraca, o desconforto f\u00edsico pode facilmente ser interpretado como outra coisa, como se o corpo estivesse \u201cfazendo coisas com voc\u00ea\u201d em vez de \u201cser voc\u00ea\u201d. Aprender a ler os sinais do corpo far\u00e1 dele um amigo familiar.<\/p>\n<p><strong>Semente 10: A ideologia de g\u00e9nero \u00e9 um sistema de cren\u00e7as espirituais.<\/strong><\/p>\n<p>A vez seguinte em que ela mencionou o g\u00e9nero foi para expressar frustra\u00e7\u00e3o por eu n\u00e3o estar \u201cdo lado dela\u201d e que sempre que ela tentava apresentar \u201cevid\u00eancias\u201d para a sua causa, eu rejeitava. Reiterei mais uma vez que a nossa compreens\u00e3o e linguagem para isso partiam de bases diferentes. A posi\u00e7\u00e3o dela baseava-se em cren\u00e7as (o que \u00e9 bom, eu acredito na liberdade de pensamento) e a minha na ci\u00eancia, e ela n\u00e3o poderia esperar convencer-me sem provas reais e concretas (n\u00e3o h\u00e1 nenhuma).<\/p>\n<p><strong>Semente 11: Isso n\u00e3o \u00e9 culpa tua.<\/strong><\/p>\n<p>Na mesma conversa, aproveitei para deixar claro que achava terrivelmente injusto o que lhe haviam feito nos f\u00f3runs online. Que ela e seus colegas ouviram mentiras sobre trans como a resposta inquestion\u00e1vel e estabelecida para a sua ang\u00fastia. (Esta foi uma semente importante para mim porque eu queria ajud\u00e1-la a aliviar qualquer poss\u00edvel culpa por ter errado e dar-lhe uma maneira de salvar a face, por assim dizer).<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>Semente 12: A Internet n\u00e3o \u00e9 tua amiga.<\/strong><\/p>\n<p>Algu\u00e9m na escola dela sofria de dist\u00farbio alimentar, o que levou a uma conversa sobre imagem corporal. Como a perce\u00e7\u00e3o daquela colega sobre si mesma n\u00e3o era verdadeira, por que raz\u00f5es aquela rapariga n\u00e3o se sentia confort\u00e1vel na sua pele e, ainda, o papel dos padr\u00f5es de beleza imposs\u00edveis que foram impostos aos corpos femininos desde tempos imemoriais. Conversamos sobre como as redes sociais s\u00e3o falsas e porque \u00e9 importante entender como funcionam os algoritmos. Tamb\u00e9m assistimos ao filme \u201cThe Social Dilemma\u201d nessa \u00e9poca.<\/p>\n<p><strong>Semente 13: A ideologia de g\u00e9nero \u00e9 mis\u00f3gina.<\/strong><\/p>\n<p>A nossa conversa seguinte girou principalmente em torno do feminismo, j\u00e1 que ela sempre afirmou ser feminista e queria saber porque \u00e9 que eu considerava a ideologia de g\u00e9nero mis\u00f3gina. Em resposta, perguntei o que ela pensava que aconteceria com o progresso das mulheres se aceit\u00e1ssemos a narrativa ativista de que todas as mulheres hist\u00f3ricas not\u00e1veis \u200b\u200bque quebraram as normas de g\u00e9nero ao assumirem atividades tradicionalmente masculinas devem ter sido homens. Tamb\u00e9m lhe perguntei quem ela achava que beneficia mais com o facto de as mulheres jovens serem convencidas de que \u201cnasceram erradas\u201d e, dessa forma, se tornarem pacientes m\u00e9dicas para o resto da vida, em vez de buscarem relacionamentos, educa\u00e7\u00e3o e carreiras saud\u00e1veis. Consideraria ela poss\u00edvel que existam tantas maneiras v\u00e1lidas de ser uma menina\/mulher quantas meninas\/mulheres existem no mundo?<\/p>\n<p><strong>Semente 14: N\u00e3o podes ser feminista enquanto rejeitas a tua pr\u00f3pria feminilidade.<\/strong><\/p>\n<p>Um pouco mais tarde voltar\u00edamos \u00e0 misoginia, agora nos aspetos relacionados com as religi\u00f5es. Ela perguntou por que raz\u00e3o as mulheres t\u00eam tantas vezes um estatuto inferior em muitos grupos religiosos, com pap\u00e9is de g\u00e9nero mais tradicionais. Quando ela concordou com a minha explica\u00e7\u00e3o de que, historicamente, os grupos patriarcais consideraram necess\u00e1rio suprimir o poder feminino como forma de manter o controlo, e expressou indigna\u00e7\u00e3o com essa estrat\u00e9gia, perguntei-lhe como \u00e9 que isso, afinal, era diferente de ela negar o seu pr\u00f3prio poder feminino, reivindicando uma identidade de g\u00e9nero masculina. Na verdade, em ambas as situa\u00e7\u00f5es, as mulheres perdem. Eu sei que isso ficou com ela por um tempo.<\/p>\n<p>Ao todo, a minha filha e eu tivemos apenas tr\u00eas conversas espec\u00edficas sobre g\u00e9nero nos \u00faltimos seis meses, mas conversamos com frequ\u00eancia e profundamente sobre a vida, relacionamentos e valores, e passamos bons momentos juntas, o que me permite fazer muitas perguntas abertas. Como \u00e9 que isso funcionou, ent\u00e3o, para n\u00f3s?<\/p>\n<p>Quando as aulas come\u00e7aram, depois de nossa primeira (e mais emotiva) conversa, percebi imediatamente que ela estava a aliviar o policiamento dos pronomes na escola. Ainda a incomodava o suficiente para mencionar isso, mas muitas vezes ela preferia ignorar. Ela tamb\u00e9m examinou ativamente amigos com potencial na busca das caracter\u00edsticas que desejava ver nos outros e em si mesma, inclinando-se naturalmente para colegas mais \u201cnormais\u201d. Em vez de concentrar toda a sua personalidade no g\u00e9nero, gradualmente foi mudando o seu foco para os objetivos futuros de carreira, incluindo a escolha de conte\u00fado relacionado com isso no YouTube. Tem, tamb\u00e9m, uma compreens\u00e3o mais apurada do facto de que duas coisas podem ser verdadeiras ao mesmo tempo. Ela e eu podemos discordar, mas ainda podemos nos amar e desfrutar da companhia uma da outra. Embora ela ainda n\u00e3o tenha conectado explicitamente aos t\u00f3picos da epidemia de autodiagn\u00f3stico online ao ponto de incluir a \u201cdisforia de g\u00e9nero\u201d, ela est\u00e1 a refletir mais cuidadosamente sobre os seus comportamentos passados \u200b\u200be pode observar, em tempo real, que os sentimentos n\u00e3o s\u00e3o est\u00e1ticos, uma vez que o pode aferir analisando o quanto ela pr\u00f3pria mudou neste \u00faltimo ano. Por outro lado, est\u00e1 a fazer as pazes com o seu corpo e tentando ouvir o que ele lhe est\u00e1 a dizer. Est\u00e1 abra\u00e7ando a sua feminilidade, se ainda n\u00e3o totalmente, mais o seu feminismo do que a sua e j\u00e1 anunciou a sua desist\u00eancia de se chamar a si mesma como um rapaz trans.<\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou com um estrondo e terminou com um chiar&#8230; N\u00e3o \u00e9 isso que eles dizem? Tenho esperan\u00e7a de que a minha fam\u00edlia esteja na fase do chiar. Existem cren\u00e7as remanescentes, um desejo urgente de justi\u00e7a social, um desconforto persistente com certos termos e doutrina\u00e7\u00f5es que ainda precisam de ser abordadas. Mas as sementes germinaram e estou cautelosamente otimista de que uma boa colheita est\u00e1 algures no horizonte&#8230;<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-8d60cfa elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"8d60cfa\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/www.pittparents.com\/p\/the-seeds-ive-sown\" target=\"_blank\">\n\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/juventudeemtransicao.pt\/wp-content\/uploads\/elementor\/thumbs\/17161802251556282332-128-q311trhfu3yqs4vs52eo3dcthm4q3qv15t7qzlrlko.png\" title=\"17161802251556282332-128\" alt=\"17161802251556282332-128\" loading=\"lazy\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-0fa0439 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"0fa0439\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>IR PARA ARTIGO ORIGINAL<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Preparemos, ent\u00e3o, o cen\u00e1rio\u2026 Quando as aulas come\u00e7aram, no Outono de 2021, a minha filha, feminina e teimosa, anunciou aos professores, do nada, que queria usar um nome masculino. Descobrimos isso atrav\u00e9s de um simp\u00e1tico conselheiro escolar e foi assim que come\u00e7amos a nossa jornada no mundo invertido da ideologia trans. 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