{"id":1360,"date":"2024-03-24T13:03:10","date_gmt":"2024-03-24T13:03:10","guid":{"rendered":"https:\/\/juventudeemtransicao.pt\/?p=1360"},"modified":"2025-04-15T13:45:28","modified_gmt":"2025-04-15T13:45:28","slug":"os-dramas-de-quem-mudou-de-sexo-e-se-arrependeu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/juventudeemtransicao.pt\/index.php\/2024\/03\/24\/os-dramas-de-quem-mudou-de-sexo-e-se-arrependeu\/","title":{"rendered":"Os dramas de quem mudou de sexo e se arrependeu."},"content":{"rendered":"\t\t<div data-elementor-type=\"wp-post\" data-elementor-id=\"1360\" class=\"elementor elementor-1360\" data-elementor-post-type=\"post\">\n\t\t\t\t\t\t<section class=\"elementor-section elementor-top-section elementor-element elementor-element-3be9f80f elementor-section-boxed elementor-section-height-default elementor-section-height-default\" data-id=\"3be9f80f\" data-element_type=\"section\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-container elementor-column-gap-default\">\n\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-column elementor-col-100 elementor-top-column elementor-element elementor-element-41be8de8\" data-id=\"41be8de8\" data-element_type=\"column\">\n\t\t\t<div class=\"elementor-widget-wrap elementor-element-populated\">\n\t\t\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-d08ca8a elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"d08ca8a\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><\/p>\n<h5><span style=\"color: #ff0000;\">Artigo publicado na S\u00e1bado<\/span><\/h5>\n<p><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-776cfded elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"776cfded\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p><span class=\"author\" style=\"color: #ff0000;\">Por Juventude em Transi\u00e7\u00e3o<\/span><time datetime=\"2022-04-21T07:00:01-04:00\" data-timestamp=\"1650538801\"><br \/><\/time><\/p>\n<p><!-- \/wp:paragraph --><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-581b6e6e elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"581b6e6e\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p class=\"western\" align=\"left\">M\u00e9dicos e psic\u00f3logos est\u00e3o preocupados com a rapidez dos processos e pedem cautela. H\u00e1 ativistas que se queixam de press\u00e3o e casos de quem diz que cometeu um erro.<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-82e6512 elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"82e6512\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>Com 22 anos, T. chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que cometeu um erro terr\u00edvel \u2013 mudou de sexo. N\u00e3o fez \u201ca\u201d cirurgia em Portugal, apesar de ter come\u00e7ado o processo c\u00e1. Escolheu a Turquia, pa\u00eds que tem apostado nesta ind\u00fastria, porque as cirurgias de redesigna\u00e7\u00e3o de sexo \u2013 assim se chamam \u2013 s\u00e3o mais baratas. Hoje falar com T. \u00e9 miss\u00e3o imposs\u00edvel, a entrevista \u00e9 feita com a m\u00e3e, que deixou de trabalhar para cuidar do filho. O jovem est\u00e1 de rastos. H\u00e1 meses encharcado em antidepressivos que n\u00e3o parecem estar a surtir grande efeito, n\u00e3o sai de casa, por vezes nem do quarto. A decis\u00e3o dr\u00e1stica da m\u00e3e tem uma raz\u00e3o: o receio de que o jovem atente contra a pr\u00f3pria vida depois da interven\u00e7\u00e3o radical que sofreu e que ainda n\u00e3o conseguiu assimilar.<br \/><br \/><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"left\">T. retirou o p\u00e9nis e os test\u00edculos e foi criado no seu lugar uma genit\u00e1lia similar a uma vagina. A remo\u00e7\u00e3o do p\u00e9nis foi feita numa cl\u00ednica em Istambul &#8220;ap\u00f3s um processo-rel\u00e2mpago de confirma\u00e7\u00e3o do autodiagn\u00f3stico de disforia de g\u00e9nero e prescri\u00e7\u00e3o de estrog\u00e9nio que se iniciou ainda em Portugal, no SNS&#8221;, acusa a m\u00e3e.<\/p>\n<p align=\"left\">A &#8220;felicidade&#8221; s\u00f3 poderia ser alcan\u00e7ada com a transforma\u00e7\u00e3o completa e esperar no SNS (pode demorar em m\u00e9dia quatro a cinco anos) estava fora de quest\u00e3o, tal era a urg\u00eancia de concretizar a cirurgia, recorda a m\u00e3e. O jovem nunca demonstrou sinais de incongru\u00eancia de g\u00e9nero at\u00e9 h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos, quando j\u00e1 n\u00e3o lhe bastava ser um \u201cgay efeminado\u201d, conta a m\u00e3e, em l\u00e1grimas. \u201c\u00c9 terr\u00edvel, \u00e9 avassalador\u2026 Todo o processo foi absurdamente r\u00e1pido. Os m\u00e9dicos assinaram de cruz as ideias que ele foi buscar \u00e0 Internet\u201d, acusa ainda.<br \/><br \/>O arrependimento, diz a m\u00e3e, aconteceu ainda no bloco operat\u00f3rio da cl\u00ednica em Istambul, segundos antes de adormecer, j\u00e1 com a anestesia injetada. O cirurgi\u00e3o relativizou o seu estado inquieto considerando ser apenas um \u201cataque de ansiedade\u201d. Quando acordou, j\u00e1 era tarde demais. T. \u00e9 um exemplo da rapidez com que alguns destes processos est\u00e3o a acontecer no mundo ocidental \u2013 e h\u00e1 v\u00e1rios m\u00e9dicos preocupados.<br \/><br \/>Os casos de jovens diagnosticados com disforia de g\u00e9nero dispararam (ver caixa). Dados cedidos \u00e0\u00a0<strong>S\u00c1BADO<\/strong>\u00a0pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade mostram que entre 2018 e 2022 foram realizadas 258 cirurgias genitais para mudan\u00e7a de sexo, ou seja, uma m\u00e9dia de uma por semana. Estes n\u00fameros referem-se aos dois hospitais p\u00fabicos onde s\u00e3o realizadas cirurgias de redesigna\u00e7\u00e3o de sexo, ou seja, mudan\u00e7a \u2013 o Hospital de Santo Ant\u00f3nio, no Porto, e a Unidade Reconstrutiva G\u00e9nito-Urin\u00e1ria e Sexual (URGUS) do Centro Hospitalar Universit\u00e1rio de Coimbra.<\/p>\n<h5><br \/>M\u00e9dicos preocupados<\/h5>\n<p>As consultas necess\u00e1rias para encetar o processo de mudan\u00e7a nestes dois hospitais tamb\u00e9m dispararam \u2013 o acr\u00e9scimo foi de 280% nos \u00faltimos cinco anos. Das 343 consultas realizadas em 2018 passou-se para 1.306 em 2022, num total de 3.741 consultas ao longo dos \u00faltimos cinco anos.<br \/><br \/>C., de 19 anos, tamb\u00e9m \u00e9 um dos casos que demonstra a rapidez dos processos. Quatro consultas espa\u00e7adas ao longo de seis meses validaram-lhe o autodiagn\u00f3stico de trans e iniciaram o processo de transi\u00e7\u00e3o, estando agora em lista de espera para a realiza\u00e7\u00e3o da mastectomia bilateral com o intuito de masculinizar o peito. H\u00e1 pouco mais de um ano iniciou a toma de testosterona prescrita num hospital p\u00fablico de Lisboa (na capital as consultas de g\u00e9nero funcionam no Santa Ma- ria e no antigo J\u00falio de Matos) e h\u00e1 dois meses fez a histerectomia (interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica que consiste na remo\u00e7\u00e3o do \u00fatero).<\/p>\n<p>Foi depois da separa\u00e7\u00e3o dos pais e da pandemia, com os sucessivos confinamentos e longas horas de Internet, que decidiu mudar o rumo da sua vida. \u201cDescobri que era trans, um processo de autodescoberta que deu sentido a muitas das d\u00favidas que tinha\u201d, afian\u00e7a \u00e0\u00a0<strong>S\u00c1BADO<\/strong>. \u201cEu era uma maria-rapaz, como os meus pais me chamavam&#8230; Isto porque sempre odiei vestidos e bonecas, adorava jogar \u00e0 bola com os meus amigos. Mas, \u00e9 verdade, n\u00e3o sentia qualquer problema com o meu corpo\u2026\u201d, admite, numa entrevista que decorre com os pais presentes.<br \/><br \/>A partir dos 16 anos, afirma C., com convic\u00e7\u00e3o, come\u00e7ou o processo de transi\u00e7\u00e3o. As hormonas j\u00e1 se fazem notar na voz, que se tornou mais grave e nos pelos alourados que lhe cobrem a face ainda infantil. C. encaixa no perfil-padr\u00e3o das pessoas transg\u00e9nero que est\u00e3o a chegar aos m\u00e9dicos de fam\u00edlia e aos consult\u00f3rios dos psic\u00f3logos \u2013 nasceram raparigas, s\u00e3o muito jovens, sentiram desconforto com o seu corpo ao atingir a puberdade e passaram por momentos depressivos no p\u00f3s-pandemia, explicam os especialistas. Mas muitos m\u00e9dicos portugueses come\u00e7am a revelar a sua preocupa\u00e7\u00e3o com o fluxo de casos trans, principalmente entre os mais jovens.<\/p>\n<p>A endocrinologista Isabel do Carmo, que acompanha v\u00e1rios transg\u00e9nero no seu consult\u00f3rio, a esmagadora maioria em idade madura, n\u00e3o hesita em dizer que \u00e9 preciso \u201crigor\u201d nestes processos e pede aten\u00e7\u00e3o \u201c\u00e0s campanhas ocultas que existem na Net, nas redes sociais\u201d, uma vez que \u201ca complexidade da transi\u00e7\u00e3o \u00e9 grande e implica uma transforma\u00e7\u00e3o org\u00e2nica definitiva da pessoa\u201d.<br \/><br \/>O psiquiatra Carlos Nunes Filipe, professor na Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Universidade Nova, critica tamb\u00e9m o facilitismo do autodiagn\u00f3stico e lamenta que algo t\u00e3o s\u00e9rio \u201cesteja a ser politizado\u201d. O especialista sublinha ainda \u201cque n\u00e3o basta a vontade da pessoa para fazer a transi\u00e7\u00e3o pois esta \u00e9, muitas vezes, influenciada por situa\u00e7\u00f5es que t\u00eam de ser avaliadas com muito rigor e tempo\u201d. Do psic\u00f3logo Jo\u00e3o Santos, da PelviClinic, chega uma outra chamada de aten\u00e7\u00e3o \u2013 h\u00e1 consultas de g\u00e9nero no SNS \u201cque n\u00e3o duram mais do que 15 minutos\u201d.<br \/><br \/>Este disparar de n\u00fameros em Portugal j\u00e1 atraiu at\u00e9 a aten\u00e7\u00e3o de organiza\u00e7\u00f5es como a Genspect, que re\u00fane profissionais da sa\u00fade mental de todo o mundo e tamb\u00e9m trans e detrans (pessoas que desistem do processo de mudan\u00e7a de sexo). A associa\u00e7\u00e3o, cofundada pela irlandesa Stella O\u2019Malley, tem j\u00e1 marcada uma confer\u00eancia em Lisboa, no pr\u00f3ximo m\u00eas de setembro, para alertar para os riscos das terapias hormonais e das cirurgias de redesigna\u00e7\u00e3o de sexo e para a necessidade de uma triagem mais fina nos diagn\u00f3sticos de disforia.<br \/><br \/>Muitas das hist\u00f3rias que passam pela Genspect partilham uma t\u00f3nica comum \u2013 o impacto do cont\u00e1gio social online nesta nova vaga de pessoas transg\u00e9nero. \u201cA associa\u00e7\u00e3o do cont\u00e1gio social com a adolesc\u00eancia e principalmente entre as raparigas, h\u00e1 muito que est\u00e1 bem estabelecida em rela\u00e7\u00e3o a outros fen\u00f3menos como a anorexia, bulimia ou os comportamentos autolesivos. Fingir que a disforia de g\u00e9nero \u00e9 diferente e n\u00e3o sofre impacto pelo cont\u00e1gio social significa apenas que as pessoas t\u00eam medo de dizer a verdade\u201d, sublinha \u00e0\u00a0<strong>S\u00c1BADO<\/strong>\u00a0a psicoterapeuta Stella O\u2019Malley, autora do livro<em>\u00a0When Kids Say They\u2019re Trans: A guide for thoughtful parents<\/em>\u00a0[quando os mi\u00fados dizem que s\u00e3o trans: um guia para pais conscientes], escrito em coautoria com Sasha Ayad e Lisa Marchiano. A especialista lamenta ainda a aus\u00eancia de vontade das autoridades de Sa\u00fade em Portugal para estudar o fen\u00f3meno da destransi\u00e7\u00e3o, que, ao contr\u00e1rio do que muitos querem fazer crer, \u201cest\u00e1 longe de ser residual\u201d.<\/p>\n<p>J\u00e1 a psiquiatra Z\u00e9lia Figueiredo, coordenadora do grupo de acompanhamento da implementa\u00e7\u00e3o da Estrat\u00e9gia de Sa\u00fade para as pessoas LGBTI (que est\u00e1 a ser implementada nos centros de sa\u00fade) conta que no espa\u00e7o de seis meses uma pessoa que procure o SNS e se assuma como trans pode come\u00e7ar a tomar testosterona (se for rapariga) ou estrog\u00e9nio (se for rapaz). Uma celeridade e uma desburocratiza\u00e7\u00e3o do processo que aplaude tendo em conta a necessidade de mitigar o sofrimento das pessoas. \u201cJ\u00e1 existe a lei da autodetermina\u00e7\u00e3o de g\u00e9nero, a pessoa sabe quem \u00e9. Ainda assim, vai haver algu\u00e9m que vai dizer se ela pode ou n\u00e3o fazer os tratamentos.\u201d<br \/><br \/>Com uma longa experi\u00eancia junto da comunidade transg\u00e9nero, pela m\u00e9dica j\u00e1 passaram mais de 700 pacientes que acompanhou, a maioria no hospital psiqui\u00e1trico Magalh\u00e3es Lemos, no Porto. Ainda que reformada desde maio de 2022 das consultas de sexologia naquele hospital, atualmente est\u00e1 a substituir uma colega que est\u00e1 em baixa de parto no Hospital de Santo Ant\u00f3nio, por isso confirma a tend\u00eancia de crescimento. Z\u00e9lia Figueiredo d\u00e1 os dados estat\u00edsticos das suas pr\u00f3prias consultas revelando que s\u00f3 em 2021 recebeu \u201c135 primeiras marca\u00e7\u00f5es\u201d, mais do dobro das que tinha, por exemplo, no per\u00edodo pr\u00e9-pand\u00e9mico, em 2019, em que somou 63 novos pacientes. At\u00e9 maio de 2022, altura em que se reformou, recebia uma m\u00e9dia de nove novos pacientes trans por m\u00eas. Agora, tamb\u00e9m nota uma altera\u00e7\u00e3o. \u201cChego a receber por semana quatro a cinco primeiras consultas. A maioria s\u00e3o rapazes trans (nasceram raparigas e querem mudar para rapazes) mas, desde a pandemia, o n\u00famero de raparigas trans (rapazes a mudar para raparigas) tamb\u00e9m aumentou\u201d, diz.<br \/><br \/>O perfil et\u00e1rio tamb\u00e9m est\u00e1 a mudar. \u201cAgora s\u00e3o cada vez mais jovens e comecei a receber tamb\u00e9m menores da pedopsiquiatria para reduzir as listas de espera\u201d, diz a m\u00e9dica, que atribui o aumento exponencial dos n\u00fameros a uma \u201cmaior informa\u00e7\u00e3o por parte dos adolescentes\u201d. Questionada sobre a onda crescente de pessoas, em v\u00e1rios pa\u00edses ocidentais, que se arrependeram e resolveram fazer a destransi\u00e7\u00e3o, a porta-voz do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade para as quest\u00f5es identit\u00e1rias garante que n\u00e3o conhece situa\u00e7\u00f5es similares em Portugal.<\/p>\n<p>Apesar de por c\u00e1 o tema se manter ainda envolto num manto de sil\u00eancio, percebe-se que a sua abordagem na pr\u00e1tica cl\u00ednica \u00e9 sens\u00edvel. O ex-presidente do Col\u00e9gio de Psiquiatria da Ordem dos M\u00e9dicos, Ant\u00f3nio Reis Marques, alerta para os riscos da precipita\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3sticos. \u201cUm profissional que faz uma terapia desse tipo, que pode ser irrevers\u00edvel a uma crian\u00e7a ou a um jovem adulto e que por sua vez pode estar em mecanismo de fuga, de nega\u00e7\u00e3o de sexualidade, ou por milhentos outros fatores, quando este se depara com a sua incapacidade, com a sua altera\u00e7\u00e3o feita de forma leviana, penso que isso \u00e9 m\u00e1 pr\u00e1tica\u201d, sublinha. E vai mais longe: \u201cN\u00e3o devemos ser comandados pelo utente, devemos dar aten\u00e7\u00e3o ao que se passa com ele, sim, mas tamb\u00e9m perceber se as op\u00e7\u00f5es que toma s\u00e3o fundamentadas, maduras e de alguma maneira refletidas e n\u00e3o \u00e0 primeira influ\u00eancia.\u201d destaca \u00e0\u00a0<strong>S\u00c1BADO<\/strong>. O psiquiatra refere a import\u00e2ncia de \u201creconhecer se n\u00e3o h\u00e1 outros fatores, traumas ou outras dificuldades de origem psicol\u00f3gica que estejam por tr\u00e1s destas op\u00e7\u00f5es ou pseudo-op\u00e7\u00f5es\u201d.<br \/><br \/>N\u00e3o existem estat\u00edsticas sobre quantas pessoas se arrependeram, mas no reddit detrans, rede social onde se partilham desabafos dram\u00e1ticos destes casos, o n\u00famero de utilizadores passou dos 9 mil para mais de 51 mil em apenas quatro anos. Muitas destas pessoas t\u00eam em comum a exist\u00eancia de psicopatologias associadas, algumas nunca exploradas pelos cl\u00ednicos, entre as quais a depress\u00e3o grave, dismorfia corporal, traumas derivados de abusos sexuais, entre muitas outras.<br \/><br \/>Jo\u00e3o Santos, psic\u00f3logo da PelviClinic, uma das cl\u00ednicas privadas recomendadas pelas associa\u00e7\u00f5es LGBT aos jovens com d\u00favidas de identidade, alerta para a necessidade de tempo para se apurar um diagn\u00f3stico. \u201c\u00c9 importante n\u00e3o saltar etapas porque pode ajudar algumas pessoas, mas fazer muito mal a outras.\u201d E continua a espantar-se, diz, com os casos que lhe chegam, vindos do SNS, com diagn\u00f3sticos-rel\u00e2mpago de disforia de g\u00e9nero: \u201cSurgem-me pessoas com apenas seis sess\u00f5es de 15 minutos cada, no SNS. Percebo que existam condicionalismos no SNS, mas este tipo de consultas n\u00e3o permitem conhecer a pessoa e estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o terap\u00eautica\u201d, diz o psic\u00f3logo da PelviClinic, que viu a aflu\u00eancia duplicar com a pandemia. Perante estes alertas, a\u00a0<strong>S\u00c1BADO<\/strong>\u00a0contactou o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, mas at\u00e9 ao fecho desta edi\u00e7\u00e3o n\u00e3o obteve resposta.<br \/><br \/><\/p>\n<h5>De v\u00edtima a ativista<\/h5>\n<p>Foi a falta de tempo para apurar o seu diagn\u00f3stico que Collin Silva da Costa lamenta, uma revolta que resolveu n\u00e3o calar para \u201calertar outros\u201d. Nasceu menina, numa fam\u00edlia pobre do interior do Brasil, e cedo percebeu que era \u201cdiferente\u201d dos outros. \u201cN\u00e3o demonstrava interesse nos brinquedos, nas roupas que me queriam colocar, mas nunca senti disforia\u201d, diz \u00e0\u00a0<strong>S\u00c1BADO<\/strong>. Aos 19 anos, j\u00e1 na universidade, longe da m\u00e3e autorit\u00e1ria, resolveu dar largas \u00e0 sua necessidade de express\u00e3o. \u201cCortei o cabelo, troquei de nome, senti muito apoio dos meus amigos LGBT, mas nessa altura tamb\u00e9m sofri viol\u00eancia sexual por parte de um colega da universidade\u2026 A\u00ed ca\u00ed num processo depressivo profundo\u201d, relembra Collin, acrescentando que s\u00f3 ent\u00e3o passou a sentir \u201cnojo\u201d do corpo.<br \/><br \/>O impacto da viola\u00e7\u00e3o nunca seria, por\u00e9m, analisado quando o \u201cpsic\u00f3logo, especializado em pessoas LGBT\u201d lhe deu o livre tr\u00e2nsito para os tratamentos hormonais no Brasil. Apesar de nunca ter feito cirurgias, o impacto hormonal \u201cdestruiu\u201d o seu corpo, diz. \u201cEngordei bastante, o meu clit\u00f3ris come\u00e7ou a crescer, o aspeto do meu rosto come\u00e7ou a mudar e eu n\u00e3o me reconhecia mais\u2026 O uso dos horm\u00f3nios [hormonas] acabou tamb\u00e9m por sobrecarregar o meu f\u00edgado a ponto da endocrinologista me perguntar se eu bebia!\u201d<br \/><br \/>Atualmente, \u00e9 atrav\u00e9s das redes sociais que Collin tenta alertar para os efeitos de uma transi\u00e7\u00e3o irrefletida. \u201cMuitas das pessoas que fazem transi\u00e7\u00e3o s\u00e3o bem jovens e n\u00e3o fazem ideia das consequ\u00eancias que esse processo lhes vai trazer. Muitas vezes, nem mesmo os m\u00e9dicos que os acompanham sabem porque a verdade \u00e9 que tudo \u00e9 ainda muito experimental\u201d, remata.<br \/><br \/><\/p>\n<h5>Cl\u00ednicas processadas<\/h5>\n<p><span class=\"quote_text\">Os casos da americana Chloe Cole, que removeu os seios aos 15 anos e esteve em bloqueadores hormonais desde os 12, do brit\u00e2nico Ritchie Herron, que retirou o p\u00e9nis, ou o da espanhola Susana Dominguez, que se sujeitou a uma mastectomia bilateral, s\u00e3o apenas alguns dos processos mais medi\u00e1ticos que correm nos tribunais dos seus pa\u00edses de origem.<\/span><\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-78ba8399 elementor-widget elementor-widget-image\" data-id=\"78ba8399\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"image.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<a href=\"https:\/\/www.sabado.pt\/vida\/detalhe\/os-dramas-de-quem-mudou-de-sexo\" target=\"_blank\">\n\t\t\t\t\t\t\t<img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/juventudeemtransicao.pt\/wp-content\/uploads\/elementor\/thumbs\/17161802251556282332-128-q311trhfu3yqs4vs52eo3dcthm4q3qv15t7qzlrlko.png\" title=\"17161802251556282332-128\" alt=\"17161802251556282332-128\" loading=\"lazy\" \/>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/a>\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-element elementor-element-fcb1dbb elementor-widget elementor-widget-text-editor\" data-id=\"fcb1dbb\" data-element_type=\"widget\" data-widget_type=\"text-editor.default\">\n\t\t\t\t<div class=\"elementor-widget-container\">\n\t\t\t\t\t\t\t\t\t<p>IR PARA ARTIGO ORIGINAL<\/p>\t\t\t\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/div>\n\t\t\t\t\t<\/div>\n\t\t<\/section>\n\t\t\t\t<\/div>\n\t\t","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo publicado na S\u00e1bado Por Juventude em Transi\u00e7\u00e3o M\u00e9dicos e psic\u00f3logos est\u00e3o preocupados com a rapidez dos processos e pedem cautela. H\u00e1 ativistas que se queixam de press\u00e3o e casos de quem diz que cometeu um erro. Com 22 anos, T. chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que cometeu um erro terr\u00edvel \u2013 mudou de sexo. N\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1361,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"_uf_show_specific_survey":0,"_uf_disable_surveys":false,"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-1360","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nacional"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/juventudeemtransicao.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1360","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/juventudeemtransicao.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/juventudeemtransicao.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/juventudeemtransicao.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/juventudeemtransicao.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1360"}],"version-history":[{"count":13,"href":"https:\/\/juventudeemtransicao.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1360\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3351,"href":"https:\/\/juventudeemtransicao.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1360\/revisions\/3351"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/juventudeemtransicao.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1361"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/juventudeemtransicao.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1360"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/juventudeemtransicao.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1360"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/juventudeemtransicao.pt\/index.php\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1360"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}